A ASBEPE

A Fundação da Associação Beneficente veio do desejo da missionária Andreia Siqueira de abrir uma escola em Angola, na África. Adotada por um angolana residente no Brasil, Andreia sempre teve uma ligação forte com o país africano. Foi em uma de suas visitas ao país que a missionária começou a sonhar com uma escola que levaria educação a crianças que viviam em condições extremas de pobreza e violência, sem condição de quebrar o ciclo de ignorância e falta de investimento na região. No entanto, mesmo tendo procurado parceiros durante alguns anos, Andreia não conseguiu fazer seu sonho sair do papel.

Moradora do bairro de Bonsucesso, pouco a pouco Andreia teve seus olhos abertos para a triste realidade das crianças brasileiras moradoras do Complexo da Maré, comunidade que beira a Linha Amarela, uma das principais vias da cidade. Sua proximidade à região a permitiu observar o alto índice de crianças e jovens que estavam vulneráveis a um contexto de muita dependência de drogas e álcool, e consequentemente, também de violência, tal qual as crianças da África. "Conversando com elas, eu percebia que a maioria não tinha uma boa estrutura familiar e muito menos um bom aproveitamento escolar, pois, dentro do sistema de escolas públicas, elas eram aprovadas automaticamente, gerando jovens com praticamente nenhuma capacidade de competir no mercado de trabalho. Foi quando entendi que eu também poderia fazer algo por essas crianças através da educação", diz a missionária.

Em 2005, a Andreia fundou a ASBEPE, uma ONG cujo foco era oferecer um reforço escolar para crianças no interior do Complexo da Maré, estabelecendo-se em uma pequena estrutura de apenas duas salas com capacidade de até 10 alunos por vez. Em apenas 3 meses, a associação já operava em sua capacidade máxima, revezando 60 alunos em três turnos, com apenas dois professores disponíveis.

Estruturando o Projeto

Mesmo operando em força máxima desde cedo, Andreia passou anos a procura de uma estrutura maior, que pudesse comportar melhor a quantidade de alunos que já atendia e que pudesse lhes permitir a expansão do projeto. A necessidade de um espaço maior foi se agravando ainda mais à medida em que os professores passaram a lidar com alunos que simplesmente não queriam ir embora e abrir espaço para outras crianças. 

Ao mesmo tempo, a organização foi conquistando respeito dentro da comunidade, gerando um interesse dos pais e familiares em ajudar a manter e expandí-la. Após anos de procura, a missionária encontrou espaço em um antigo galpão de reciclagem de lixo, porém, este estava em péssimas condições, com mais de 12 toneladas de entulho, lixo e até com um rio de esgoto passando por ali. O estabelecimento também não possuía energia elétrica e muito menos condição hidráulica, porém, tinha o tamanho ideal para a associação.

Através da doação de materiais e do engajamento da comunidade, cerca de 30 homens e mulheres, em apenas 15 dias conseguiu-se fazer a limpeza do local, e ao longo dos dois próximos anos foi feito o recapeamento da quadra, e o saneamento da quadra esportiva. Foi somente em 2010 que a organização conseguiu concluir a instalação hidráulica e elétrica, e passou a operar no local, mesmo que dentro de uma qualidade básica diante das necessidade operacionais do projeto.

Hoje a estrutura comporta uma biblioteca, laboratório de informática, uma pequena quadra poliesportiva e salas diversas. A capacidade da instituição dobrou para 120 crianças que, além de aulas de reforço escolar, passaram a ter acesso a aulas de inglês, de informática, de educação física, de artes e teatro, além de oficinas diversas ao longo da semana. "Nós operamos de 9 às 22h porque queremos tirar essas crianças da ociosidade das ruas, onde elas estão vulneráveis. Nosso objetivo é não somente trazer conhecimento, mas também um senso de comunidade, de educação e de caráter para elas", diz Andreia.

Click to play

O sonho de Angola

Apesar de ter fundado a ASBEPE no Rio de Janeiro, Andreia jamais perdeu o desejo de abrir uma filial do projeto em Angola. Mantendo-se em contato com instituições locais em Kilamba Kiaxi (comunidade que fica no distrito de Luanda - região devastada pela guerra), a missionária conseguiu a doação de um terreno.

Andreia então visitou o local em 2011 a fim de estabelecer a associação juridicamente e avaliar a possibilidade de construção de uma escola primária no terreno.  Foi quando conheceu um grupo de mulheres chamado Grupo Ruth, que havia se juntado para construir uma escola, porém, não tinham quem a administrasse. E ao ouvirem falar do projeto da missionária, decidiram passar a escola para suas mãos e para a ASBEPE.

Em maio de 2012, a associação deu início ao projeto AMA Angola (Alcançando o Mundo Anfabetizando), com a inauguração da Escola Comparticipada Ruth - Ensino Primário. Desde então, a escola já atende 400 alunos, cursando entre o 1º e o 9º ano. Além da oportunidade de estudar, a escola tem impactado a região por oferecer uma estrutura diferente de todas as outras na comunidade. Kilamba Kiaxi é uma região onde as casas não possuem luz elétrica, água potável e muito menos banheiros.

O Grupo Ruth forneceu à escola um gerador potente e uma cisterna de água, permitindo que houvesse banheiro no prédio da escola. As salas tam´bme foram completamente equipadas com carteiras, quadros e ar-condicionado.

A ASBEPE e seus parceiros

Em 2013, a ASBEPE abriu uma filial na Gardênia Azul, com capacidade de atender 40 crianças. Com apenas um ano de trabalho, a filial mudou-se para um espaço maior, com a ajuda do Colégio AaZ, que tornou-se parceiro da associação na reforma, equipando também as salas com carteiras e quadros. A parceria também visa a implementação de um projeto de aulas de informática, que será aberto para toda a comunidade, e de projetos especiais, como o Dia do Dentista.

“Eu Luto Por Uma Vida Melhor para Todos.”

Daniela Gonçalves, Dentista

A comunidade da Gardência também tem sido alvo da parceria da associação com a Nova Igreja e com a marca de roupas Rue, que se uniram para promover aulas profissionalizantes de corte e costura para mães, com o intuito de capacitá-las a gerar renda para suas famílias.  Além disso, a parceria com o colégio AaZ também levou à criação da "Sala do Carinho" na sede da associação, no Complexo da Maré. Essa sala foi criada com o objetivo de permitir o acompanhamento e tratamento de crianças especiais, com Síndrome de Down, Autismo e crianças com traumas, por parte de psicólogos e psiquiatras.

O AaZ também tem promovido a festa de final de ano, campanha do brinquedo, campanha do agasalho e campanha do alimento, com a doação de cestas básicas dando a oportunidade para seus alunos entrarem em contato com a associação e com essas crianlas ao longo do ano.  Mesmo com todo o impacto que a ASBEPE vem causando nas comunidades nas quais está inserida, a associação vem enfretando novos desafio devido à crescente necessidade de criar um abrigo para seus alunos.

“Ao longo dos anos em que temos operado, pais, familiares e até as próprias crianças têm nos procurado para pedir abrigo para elas. Lidamos com crianças cujos pais estão presos, ou mesmo envolvidos com drogas, cujas casas estão saturadas e que acabam abandonadas pela ruas.”

Missionária Andreia Siqueira

Há dois anos iniciou-se o projeto de não somente fazer um dormitório, mas de transformar o galpão em um prédio de três andares onde haja uma estrutura para abrigar 60 crianças. Além dos dormitórios, o plano é criar lavanderia, brinquedoteca, cozinha, refeitório, banheiro feminino e masculino, sala de aula, secretaria, tudo conforme regras e normas de segurança.

Para isso, a ASBEPE vem buscando parceiros que possam ajudar com a reforma e com o equipamento necessário para tornar o sonho de tirar essas crianças da rua uma realidade. Essas parcerias podem ser feitas em forma de patrocínio, como através da doação de material, como, por exemplo, a doação de máquinas de lavar roupa para a lavanderia, de camas e colchões para o dormitório, ou mesmo com a doação de alimento para manter a cozinha operando.

A instituição mantém suas portas abertas graças a parceiros anuais, pontuais e também através do sistema de apadrinhamento dos alunos, em que os padrinhos contribuem com um valor fixo de R$ 67,00 mensais por uma criança. Este valor ajuda na manutenção do quadro de funcionários e dos locais utilizados pela ASBEPE.

Dedicação, compromisso e amor é tudo o que precisamos.